A
manhã acordou cinzenta. O vento uivava o outono nas folhas que esvoaçam em
redor da casa, estremecendo a velha árvore do jardim. Meio adormecida
dirigiu-se à cozinha para tomar o pequeno-almoço. Ligou a máquina do café e a
torradeira, mas não havia forma de sentir o aroma do café ou do pão torrado.
Que teria acontecido? Estariam em greve? E estavam. Sentiam-se cansados daquela
rotina, da frieza como eram manuseados. Por um dia, apenas, fariam greve.
Emília Simões, 64 anos,
Mem-Martins-Algueirão
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