Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta desafio nº 5

Margarida Fonseca Santos - desafio 5

Cruzo as tuas linhas, sulcadas na pele por acontecimentos que não presenciei, e perco-me a imaginar como pôde alguém, alguma vez, te magoar assim. Foges do contacto físico, encolhes-te de medo. Quantas vezes já te desprezaram? Te ignoraram? Que encruzilhada de sentimentos te fez perder a esperança no mundo dos outros? Vem comigo, vamos devagar. Vamos desembaraçar os nós dessa vida. Não faz sentido estares aqui, escondida debaixo de um banco. Tens o direito de ser feliz. Margarida Fonseca Santos , 56 anos, Lisboa Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas

Susana Santos - desafio 5

Svetlana tinha uma vida triste. Abandonara as raízes eslavas em nome do amor, mas tudo fracassara. Vivia sozinha no Porto, sem família, amigos e o marido traidor trocara-a pela amante. Para que a depressão não a subjugasse, decidiu dedicar-se plenamente à vida profissional. Ela trabalhava como enfermeira no Hospital de Espinho e, durante as viagens de comboio, vislumbrava constantemente as mesmas caras. A regularidade dos contactos motivou a partilha de histórias... alguém isolado encontrou uma família especial! Susana Sofia Miranda Santos , 38 anos, Porto Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas

Sabrina Pereira - desafio 5

Cruzar comboios Eu pensei que fosse uma boa ideia ir visitar um sítio mais calmo, talvez nos campos, na Austrália. Dois dias depois, perguntei a alguém de onde partia o comboio mais próximo. Mas quando cheguei lá, estava tudo abandonado. Entrei, porque eu queria tentar encontrar alguém, e de repente, o comboio começou a andar! Enquanto esperava que ele parasse, encontrei uma koala bebé. Quando o comboio parou, saí e levei-a ao veterinário. No final, ela pôde ser solta! Sabrina Pereira , Pretoria Girls High, Pretoria, África do Sul, prof. Margarida Sousa Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas

Isabel Pinto - desafio 5

Magreza Extrema A anorexia assombrou-lhe a vida numa idade inesperada; quando o risco da manifestação é pequeno. O sofrimento vivenciado mentalmente, a superação dos seus limites, em prole da luta pela sobrevivência de um ente amado, manifestara-se, insidiosamente, no corpo: ficou um esqueleto.Na rua, as pessoas olhavam a sua magra silhueta, que a roupa não disfarçava, como se possuísse doença grave. Ele salvou-se. Isabel Pinto , Setúbal Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas

Isabel Sousa - desafio 5

Linhas paralelas Sentaram-se naquele canto do café. Observei-os. Ela tinha um rosto triste, distante. Ele, indiferente, lia o jornal esquecido. Identifiquei-me com eles. Imaginei as nossas vidas como linhas paralelas. Talvez ela, como eu, sonhasse aquele ponto, no horizonte, onde as linhas se encontrassem. Desenhei, num papel, uma escada. Compreendi: duas linhas paralelas não se encontram, apenas no infinito, nunca em tão curtas vidas. Por isso, a única forma de as unir são as pontes que por elas atravessam. Isabel Sousa , 64 anos, Lisboa. Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas

Rosélia Bezerra - desafio 5

Quisera estar num comboio e apreciar, lentamente, tudo de belo que a natureza nos oferta... Já fiz várias viagens de trem e, em todas, delicio-me com cachoeiras, árvores exuberantes, flores nas quaresmeiras tão lindas... Em breve, cruzarei comboios e meu coração saltitante estará...  Numa terra majestosa onde poderei esbladar-me... Já viajei com amigas ou com netinho e filha mas, em todas ocasiões, fui imensamente feliz e a alegria tomou conta do meu ser. Cruzar comboio alimenta-me alegrando-me. Rosélia Bezerra , 61 anos, Rio de Janeiro, Brasil Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas

Rocío Antonio Núñez - desafio 5

Ninguém tinha pensado no que se passou. Ninguém tinha pensado no que eu senti quando estavas no cais número vinte e um, esperando, vendo a vida passar. Ninguém tinha pensado que eu perderia o meu comboio, ninguém tinha pensado que tu irias fazer aquilo, ninguém tinha pensado que o teu assento estava ao meu lado. Ninguém tinha pensado que tu morarias na mesma rua que eu. Ninguém tinha pensado que nada daquilo ia passar, ninguém menos eu. Rocío Antonio Núñez , 18 anos, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas

Luis Zambrano Cuesta - desafio 5

Como todos os dias, eu fui apanhar o comboio para ir para as aulas. Não imaginava o que ia acontecer, mas o meu corpo pressentia-o. Nesse dia não apanhei o comboio devido, apanhei outro, não sabia onde me levaria esse comboio, mas também não me importava. O caminho seria longo, sabia que as pessoas não seriam tão amáveis quanto gostaria, mas devia fazê-lo, devia quebrar a cadeia. Eu devia apanhar outro comboio, eu devia trocar de vida. Luis Zambrano Cuesta , 18 anos, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas

Lara Lagoa - desafio 5

Naquele dia apanhei o autocarro por milagre. O meu voo tinha chegado muito atrasado e ainda agora não sei como fiz para pegar nas malas e apanhar o último autocarro que havia para a cidade. Quando eu entrei, os outros passageiros viraram-se e puseram-se a olhar para mim. Tu estavas a ler o jornal em italiano. Lembro-me do teu sorriso cúmplice. – Vem cá, senta-te comigo. Eu também cheguei a Genebra tão perdido quanto tu há um ano... Lara Lagoa , 21 anos, Vigo, prof Paula Pessanha Isidoro Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas

Ignacio Fernández González - desafio 5

Era uma vez um comboio chamado Nicolas, tinha 150 anos e ele fazia todos os dias a mesma viagem: Coimbra – Salamanca de ida e volta. Um dia uma jovem rapariga apanhou o comboio de ida Coimbra – Salamanca e no fim da viagem ela perdeu um caderno onde ela escrevia os seus poemas. Nicolas encontrou o caderno e leu os belos poemas de Natália. Então, Nicolas procurou e procurou a jovem rapariga…   mas não nunca encontrou a Natália. Ignacio Fernández González , 20 anos, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas

Camila Martínez - desafio 5

Lembro-me da primeira vez que o vi. Estava na Veracruz, ajudava um grupo de Jesuítas que acolhiam migrantes. Estava a preparar comida quando alguém gritou: “Estão aqui”. Deixei o que estava a fazer, batimento rápido do coração. Corri pelas vias, então entendi porque se chamava a Besta, o imponente ferro fazia o seu caminho sem se importar com nada, no entanto as pessoas tinham fé de chegar depois do rio Bravo, era o que restava para eles. Camila Martínez , 19 anos, Cidade do México, prof Paula Pessanha Isidoro Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas

Ana Carmen García Hernández - desafio 5

Era uma nova manhã. Outro novo dia. Mas a mesma rotina. Ou pelo menos isso pensava o Alex, enquanto ouvia música tranquilamente no seu mp3, olhando pela janela desse velho comboio de madeira dos anos 50. Tranquilidade interrompida pela queda dos livros duma rapariga desajeitada. Ou assim parecia. – Desculpe-me, desculpe-me! – disse ela apressadamente. – Importa-se se eu colocar isto aqui? Alex assentiu. Então, depois de ela se sentar, Alex observou-a cuidadosamente. Ela era uma moça bonita de cabelos… Ana Carmen García Hernández , 18 anos, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas

Ana Belén - desafio 5

Todas as manhãs eu apanhava o mesmo comboio. E todas as manhãs eu observava o cachorrinho magro. Ele tinha uns olhos tão negros como a noite.   Ele movia sempre o rabo quando alguém se aproximava. Mas quando ele me viu, os olhos dele brilharam. Na minha mochila tinha sempre umas bolachas para ele. Deu-me tanto amor pelas manhãs… Um dia, eu tomei uma decisão importante… O nome dele é Thor, e agora está dormindo aos meus pés. Ana Belén , 19 anos, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas

María Rodríguez Moríñigo - desafio 5

Como todos os dias de manhã, Laura apanhava o metro para o trabalho e o revisor pedia os bilhetes a toda a gente, mas ele nunca lhe pedia o bilhete. Ela estava muito surpreendida e queria mesmo mostrar o bilhete, mas ele não a deixava. Num desses dias houve uma conversa. Ele revelou que estava enamorado dela, que o seu rosto era puro e confiável que não necessitava ver o seu bilhete. Ele estava loucamente enamorado dela. María Rodríguez Moríñigo , 19 años, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas

Marina Delgado - desafio 5

De Sintra a Lisboa, durante a semana Não precisava ir cedo. Mas sabia que ele ia naquele comboio. Via-o à espera na estação e entrava na mesma carruagem. Sentava-se de frente, longe. Ele lia o tempo todo. Ficava a olhá-lo. Se ele tirava os olhos do livro ela desviava o olhar. Coração aos pulos. Nunca falaram. Nunca cruzaram os olhos. Nunca soube o nome dele. Vê-lo dava-lhe um conforto para o resto do dia. Mudou de cidade, nunca mais o viu. Ainda pensa nele. Marina Delgado , 51 anos, Pucariça, Abrantes Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas

Marta, Carmen e Andrea - desafio 5

Não me lembro como começou, mas sim como aconteceu. Todas as manhãs eu saía de casa para ir de comboio ao trabalho. Mas aquele dia não ia ser normal. Quando a vi pressenti que ia ser o grande dia. Nesse dia pediria a sua mão. Um bonito sorriso apareceu na minha cara. Nesse momento ela viu-me. Aproximei-me dela para fazer a grande pergunta. Pela janela vi um comboio que se aproximava velozmente. Nesse momento ficou tudo preto. Marta, Carmen e Andrea , de 3º de ESO (9º ano) do IES Bioclimático de Badajoz, professoras María José López e Paula Fialho Silva, no âmbito da celebração do "Dia da Língua Portuguesa" que se realizará no dia 5 de maio no CPR de Badajoz Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas

Rosélia Palminha - desafio 5

Linhas cruzadas Pelas seis e meia da manhã, silvava o comboio ao entrar na estação. Passageiros habituais, tanto os que vinham, como os que entravam. Os lugares pareciam reservados e assim se fizeram amizades. Bem, no meu caso foi algo mais. Nessas viagens diárias a caminho do emprego conheci o meu marido. Passamos a ver nos carris as linhas paralelas que transformaram nossos destinos. Hoje agradecemos na cumplicidade do nosso olhar e no silêncio da ternura que nos une.    Rosélia Palminha , 68 anos, Pinhal Novo Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas

José Ignacio Martínez Gutiérrez - desafio 5

Dignidad La locomotora pitó insistentemente al entrar en la estación. Apartaban la nieve caída en la madrugada. El maquinista conversó con un operario. Esperaban noticias. El puerto podría cerrarse. La mujer sentada al otro lado del pasillo, tembló, arropó con la toquilla la cabeza del niño que llevaba en brazos, y se santiguó. Tú no bajarás a la mina con tu padre; primero tendría que matarme; emigraremos. Del pañuelo atado a la nuca, le sangraba el oído. Permítame. José Ignacio Martínez Gutiérrez , Valencia de Alcántara, Cáceres, Espanha Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas

Madalena Carvalho - desafio 5

Tarde de mais Num cruzamento, cruzei-me com alguém levou-me à estação onde os comboios se cruzam assim entendi que a vida é composta  de vidas cruzadas, destinos traçados. Encontrei o amor? Não, não era isso que queria,  só desejava olhá-lo nos olhos e dizer: És tão bonito... mas não tinha coragem. Nada mais importava. Alguém grita "homem na linha". O cruzamento ficou triste e vazio. Porque não o abracei? Porque não o amei? Era tarde de mais Madalena Carvalho , 65 anos, Peniche Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas

Natalina Marques - desafio 5

O comboio, que aqui passava, deixou saudades. Outrora, levava gente e trazia gente. Que acenavam uns aos outros, quando se cruzava com outro, que vinha em sentido contrário. Quando passava por cima de uma das várias pontes, via-se o rio lá em baixo e, a beleza que nos rodeava, era estonteante, com vinhas aprumadas entre olivais, amendoeiras em flor. Agora, são outras gentes que por ela passam, vão contando as histórias do passado, um passado, tão distante. Natalina Marques , 56 anos, Palmela Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas