Sapatilha
cirandeira
Andei
muito. Ou caminhei. Por tanto lado. Com sol, chuva; calor, frio. Por vezes estafada.
Mas andava, andava, pela alegria, prazer de conhecer. Conhecimento sofrido. Ai,
também pela mágoa, dor. A tristeza, o choro intenso; misturando lágrimas e
chuva. Amassada, pisada. Oh! Parar de tanta caminhada solitária em vão. O tempo
arrastou-se pesado a esgotar-nos. A ‘alma’ exposta em tanto cirandar, ainda
assim, fui companheira. Condoeu-se de mim e, enfim, no caixote do lixo me
deixou descansar.
Rosa
Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Coimbra
Escritiva nº 4 – homenagem às sapatilhas
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