Cruzo as tuas linhas, sulcadas na pele por
acontecimentos que não presenciei, e perco-me a imaginar como pôde alguém,
alguma vez, te magoar assim. Foges do contacto físico, encolhes-te de medo.
Quantas vezes já te desprezaram? Te ignoraram? Que encruzilhada de sentimentos
te fez perder a esperança no mundo dos outros?
Vem comigo, vamos devagar. Vamos desembaraçar os nós
dessa vida. Não faz sentido estares aqui, escondida debaixo de um banco. Tens o
direito de ser feliz.
Margarida
Fonseca Santos, 56 anos, Lisboa
Escritiva nº 5 – homenagem às sapatilhas
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