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Mensagens

Desafio nº 6 - Poderes mágicos

Algum dia sonhou não ter que fazer a cama, lavar a loiça, passar a ferro, estender a roupa, aspirar e varrer? Descanse, pois esse dia chegou! Sim, sim, chegou porque este desafio vai dar-lhe poderes mágicos. É só decidir que parte do seu corpo mexer para que tudo fiquei feito num instantinho. A minha magia foi esta: Duas da manhã e tudo por fazer:  roupa por estender, loiça por lavar e a vontade me deitar a aumentar, mas havia tanto por arrumar... Que raio de vida, sem tempo para nada e muito menos dinheiro para contratar alguém para limpar o que eu sujo. Se pudesse ao menos fazer desaparecer tudo isto... E foi então que me lembrei do poder mágico do meu indicador: carreguei no interruptor e a escuridão encarregou-se de deixar tudo “limpo”. Paula Pessanha Isidoro, 34 anos, Salamanca Escritiva nº 6  - poderes mágico

Margarida Fonseca Santos - desafio 5

Cruzo as tuas linhas, sulcadas na pele por acontecimentos que não presenciei, e perco-me a imaginar como pôde alguém, alguma vez, te magoar assim. Foges do contacto físico, encolhes-te de medo. Quantas vezes já te desprezaram? Te ignoraram? Que encruzilhada de sentimentos te fez perder a esperança no mundo dos outros? Vem comigo, vamos devagar. Vamos desembaraçar os nós dessa vida. Não faz sentido estares aqui, escondida debaixo de um banco. Tens o direito de ser feliz. Margarida Fonseca Santos , 56 anos, Lisboa Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas

Susana Santos - desafio 5

Svetlana tinha uma vida triste. Abandonara as raízes eslavas em nome do amor, mas tudo fracassara. Vivia sozinha no Porto, sem família, amigos e o marido traidor trocara-a pela amante. Para que a depressão não a subjugasse, decidiu dedicar-se plenamente à vida profissional. Ela trabalhava como enfermeira no Hospital de Espinho e, durante as viagens de comboio, vislumbrava constantemente as mesmas caras. A regularidade dos contactos motivou a partilha de histórias... alguém isolado encontrou uma família especial! Susana Sofia Miranda Santos , 38 anos, Porto Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas

Sabrina Pereira - desafio 5

Cruzar comboios Eu pensei que fosse uma boa ideia ir visitar um sítio mais calmo, talvez nos campos, na Austrália. Dois dias depois, perguntei a alguém de onde partia o comboio mais próximo. Mas quando cheguei lá, estava tudo abandonado. Entrei, porque eu queria tentar encontrar alguém, e de repente, o comboio começou a andar! Enquanto esperava que ele parasse, encontrei uma koala bebé. Quando o comboio parou, saí e levei-a ao veterinário. No final, ela pôde ser solta! Sabrina Pereira , Pretoria Girls High, Pretoria, África do Sul, prof. Margarida Sousa Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas

Isabel Pinto - desafio 5

Magreza Extrema A anorexia assombrou-lhe a vida numa idade inesperada; quando o risco da manifestação é pequeno. O sofrimento vivenciado mentalmente, a superação dos seus limites, em prole da luta pela sobrevivência de um ente amado, manifestara-se, insidiosamente, no corpo: ficou um esqueleto.Na rua, as pessoas olhavam a sua magra silhueta, que a roupa não disfarçava, como se possuísse doença grave. Ele salvou-se. Isabel Pinto , Setúbal Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas

Isabel Sousa - desafio 5

Linhas paralelas Sentaram-se naquele canto do café. Observei-os. Ela tinha um rosto triste, distante. Ele, indiferente, lia o jornal esquecido. Identifiquei-me com eles. Imaginei as nossas vidas como linhas paralelas. Talvez ela, como eu, sonhasse aquele ponto, no horizonte, onde as linhas se encontrassem. Desenhei, num papel, uma escada. Compreendi: duas linhas paralelas não se encontram, apenas no infinito, nunca em tão curtas vidas. Por isso, a única forma de as unir são as pontes que por elas atravessam. Isabel Sousa , 64 anos, Lisboa. Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas

Rosélia Bezerra - desafio 5

Quisera estar num comboio e apreciar, lentamente, tudo de belo que a natureza nos oferta... Já fiz várias viagens de trem e, em todas, delicio-me com cachoeiras, árvores exuberantes, flores nas quaresmeiras tão lindas... Em breve, cruzarei comboios e meu coração saltitante estará...  Numa terra majestosa onde poderei esbladar-me... Já viajei com amigas ou com netinho e filha mas, em todas ocasiões, fui imensamente feliz e a alegria tomou conta do meu ser. Cruzar comboio alimenta-me alegrando-me. Rosélia Bezerra , 61 anos, Rio de Janeiro, Brasil Escritiva nº 5  – homenagem às sapatilhas