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Mensagens

Quita Miguel - desafio 26

Humanidade Confesso que cada vez me espanto menos com a natureza humana, talvez porque, por um lado acredito pouco nas pessoas, e por outro pergunto-me se existe certo ou errado. É que muitas vezes basta uma diferente cultura para classificar de mau o que nós consideramos bom e vice-versa. Este olhar sobre a humanidade tem-me feito julgar sempre menos e duvidar sempre mais das minhas certezas anteriores. Hoje, apenas acredito que tudo tem um propósito que desejo compreender.  Quita Miguel , 58 anos, Cascais Escritiva nº 26  – mistérios da natureza humana

Ana Paula Oliveira - desafio 26

― Olhe, dona Celeste, estamos muito indignadas. E pode dizer ao seu patrão, eu própria lho direi. Não se admite, chegar à nossa beira e mandar-nos calar porque estamos a falar muito alto e incomodamos os outros clientes! Por amor de Deus! Não estávamos a dizer mal de ninguém, não estávamos a dizer segredos, nem a falar dos namorados das outras. Era só o que faltava! Isto é um local público e não podemos falar alto?! Que indignação!!!! Ana Paula Oliveira , 57 anos, S. João da Madeira Escritiva nº 26  – mistérios da natureza humana

Elisabeth Oliveira Janeiro - desafio 26

Talvez Sim ou Nem por Isso Dois irmãos, dois amigos, da mesma forma criados. Mas diferentes como duas gotas de chuva. Raulzinho, o estouvado, sempre inquieto, sem se saber como, pulverizava o pecúlio em dois tempos. Sempre enredado em teias de arame farpado, nenhum cêntimo lhe resistia. A família, preocupada, e já desconfiada, achava estranho o comportamento tão diferente do irmão, aprumado, discreto, estudioso. Veio a saber-se. Vida de amarguras com fulguritos enganadores devido ao jogo. Salvou-o o Amor. Da mãe. Até quando? Elisabeth Oliveira Janeiro , 73 anos, Lisboa Escritiva nº 26  – mistérios da natureza humana

Paula Castanheira - desafio 26

Sinto-me triste, quando vejo adultos a atiram pela janela do seu belo carro, a embalagem do pequeno-almoço, a deixarem na areia, a boa da beata, na mata, os restos não degradáveis do seu repasto. Imagino como será a casa destes humanos. Também por lá, atiram o lixo para o chão? Falo de falta de educação, de inconsciência, de desrespeito pelo próximo, de desprezo pela Mãe Terra! Pessoas assim, são tantas vezes educadores dos adultos de amanhã. Medo! Paula Castanheira , Massamá, 53 anos Escritiva nº 26  – mistérios da natureza humana

Maria do Céu Ferreira - desafio 26

Barraca A família, no verão, Aproveita bem o mar, Da areia ao paredão, Adoramos passear! Assim, também alugámos A barraca já «famosa», Saímos e almoçámos E a gente até já goza… É que há uma temporada, Outros lá se bronzeavam, Nós ficámos à entrada A ver se se afastavam. Mas armaram barracada: ― Nós éramos  inguístas, Não era praia privada, Era tudo comodistas… Hoje somos veteranos, Munidos de grande lata, Dizemos todos os anos: ― Não há praia sem «Barraca»! Maria do Céu Ferreira , 62 anos, Amarante Escritiva nº 26  – mistérios da natureza humana

Margarida Freire - desafio 26

Nasci e cresci no Tempo em que as Crianças eram ensinadas a “Dar a Salvação”. Traduzido para o século XXI, significa dizer BOM DIA! Costumes de um passado remoto – não que eu seja saudosista dele, credo. Mas é assim. Nada dói tanto como entrar num qualquer espaço, dizer Bom Dia, e ser calorosa e estridentemente saudada com o silêncio. Alguns arriscam uma mirada de viés, mas logo reagem, desviando o olhar. Distracção? Não…… Muita Falta de Chá! Margarida Freire , 75 anos, Moita Escritiva nº 26  – mistérios da natureza humana

Ana Beatriz - desafio 26

Maria olhou pela janela e retrocedeu no tempo. Um arrepio ― gelou-a de emoção. O perfil era-lhe familiar ― a perna traçada, um olhar para o infinito. Era mesmo ele! A coragem foi mais forte que a pacatez. Ficou pertinho dele. Olhavam na mesma direção. Formava-se um arco-íris! Ambos o tinham visto, noutro tempo, noutro lugar, sabiam da maldição ― um amor inacabado, desfeito pelo nevoeiro da perversão. Finalmente enfrentaram-se, consolidaram o que nunca deveria ter acabado. Ressuscitaram o coração!  Ana Beatriz , 39 anos, Lisboa Escritiva nº 26  – mistérios da natureza humana