Está uma tarde outonal enfadonha. As folhas caem e uma
nuvem ameaça chuva. Hoje ainda não sorri e estou sem imaginação. Já tentei
escrever a história e nem uma palavra sai. Resolvo ir ao cabeleireiro para
ficar mais bem-disposta, mas antes preparo um chá e uma torrada e lá vou eu.
Cabelo pronto regresso. Já próximo de casa uma chuvada súbita apanha-me
desprevenida e fico toda encharcada. E o cabelo? Melhor esquecer e rir, rir,
rir muito.
Todos os dias salto para o mesmo assento suado, do lado da janela, ainda aquecido pelo passageiro anterior. Dá sorte... Se me sentar aí o meu dia decorre sem grandes peripécias. Por vezes uma coisita ou outra... mas nada de grave. E, ao fim do dia... puf... caio de novo no meu assento. Mas hoje, o meu lugar estava ocupado e o caminho errado. Foi quando gritei: ― O senhor enganou-se! Que percebi que a enganada era eu. Francisca Reis , 17 anos, Cantanhede Escritiva n º 31 ― erros nos transportes
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