O meu bisavô faleceu dormindo aos 96 anos, feliz. Eu só tinha 12 anos mas
tinha a sua sabedoria alegre em alta estima. Quando o padre começou a cantar a
marcha fúnebre com a sua voz de cabra doente (estou a pesar as palavras), eu
fiz o que teria feito o meu bisavô. Eu ri até não poder mais. Foi um riso
explosivo, espontâneo, mas sobretudo foi contagiante. O enterro do meu bisavô
foi à sua imagem.
Todos os dias salto para o mesmo assento suado, do lado da janela, ainda aquecido pelo passageiro anterior. Dá sorte... Se me sentar aí o meu dia decorre sem grandes peripécias. Por vezes uma coisita ou outra... mas nada de grave. E, ao fim do dia... puf... caio de novo no meu assento. Mas hoje, o meu lugar estava ocupado e o caminho errado. Foi quando gritei: ― O senhor enganou-se! Que percebi que a enganada era eu. Francisca Reis , 17 anos, Cantanhede Escritiva n º 31 ― erros nos transportes
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